Mais de uma semana após a comunidade escolar da Escola Municipal de Ensino Fundamental Domingos Cardoso da Silva decidir pela suspensão das aulas presenciais diante do calor insuportável e da ausência de climatização nas salas, o cenário de precariedade continua sem uma solução definitiva. Na manhã desta quarta-feira (7 de outubro), o vereador Elvis Silva Cruz (Zé do Bode) esteve no local para fiscalizar a unidade de ensino e denunciou uma série de graves problemas estruturais que impedem o retorno digno dos estudantes e profissionais às salas de aula.
Em pronunciamento gravado em frente ao portão da unidade, o parlamentar destacou que a paralisação, adotada por iniciativa conjunta de professores, pais e alunos, já ultrapassa sete dias e decorre exclusivamente da omissão do Poder Executivo em garantir infraestrutura básica.
“Essa missão é da gestão, não dos professores”
Zé do Bode ressaltou que a decisão dos professores de cruzar os braços e manter apenas atividades assíncronas foi uma medida extrema diante da falta de respostas da Secretaria Municipal de Educação (Semed):
“Estamos em frente à Escola Domingos Cardoso. Depois de diversas mensagens de pais e mães inconformados por falta de políticas públicas e de atenção. A escola está parada, fechada há mais de sete dias. Os professores formaram uma comissão e decidiram paralisar as atividades. Eles dão o seu melhor todos os dias, mas não é missão deles colocar a parte elétrica da escola para funcionar. Essa missão é de vocês”, cobrou o parlamentar, direcionando a cobrança à secretária de Educação, Maura Paulino.
Raio-x do abandono: parte elétrica precária, calor e almoxarifado virando sala
Durante a vistoria, o vereador constatou que a crise na EMEF Domingos Cardoso vai muito além do simples conserto pontual de aparelhos de ar-condicionado. A escola convive com um quadro generalizado de déficit estrutural que afeta a segurança e o bem-estar da comunidade:
- Sistema elétrico sobrecarregado: A rede elétrica da escola não suporta a carga necessária, mantendo os aparelhos de ar-condicionado desligados em meio às altas temperaturas registradas em Parauapebas;
- Superlotação e improviso: Espaços projetados originalmente como almoxarifados tiveram de ser adaptados e transformados em salas de aula para acomodar os estudantes;
- Mobiliário degradado e refeitório inadequado: Ausência de cadeiras adequadas nas salas e falta de assentos apropriados na área de alimentação e cantina escolar;
- Água e saúde: Bebedouros necessitando de manutenção urgente e troca imediata de filtros para garantir água própria para consumo.
Cobrança por solução definitiva e duradoura
Com previsão de reuniões entre a comunidade escolar e a administração municipal ao longo do dia para avaliar o retorno das atividades, Zé do Bode fez um alerta enfático contra maquiagens no prédio público:
“Hoje vai ter uma reunião e, provavelmente, com algum paliativo feito, as aulas podem até retornar. Mas isso não é o suficiente. O serviço tem que ser feito com qualidade e tem que ser duradouro. Fui muito bem recebido por toda a equipe da escola, mas só a recepção não é o essencial. O essencial é que tudo esteja transformado de forma digna para os nossos alunos”, concluiu.
O Portal Pebinha de Açúcar, que acompanha o caso desde o comunicado oficial de suspensão emitido pelos pais no último dia 28 de setembro, segue com canal aberto para que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e a direção da unidade informem o cronograma definitivo de reforma da rede elétrica e a data de normalização segura do calendário escolar presencial.
- Fonte(Pebinha de Açucar)